Governo vai investir para recuperar Ceasa

Frutas como mamão, melancia e manga, quando já não encheram o contêiner de lixo, estavam espalhadas pelo chão, sendo disputadas por pombos, urubus, gatos e vira-latas


Tribuna da Bahia, Salvador
12/02/2020 14:07 | Atualizado há 25 dias, 3 horas e 15 minutos

   
Foto: Reginaldo Ipê / Tribuna da Bahia

Por: Yuri Abreu


É fim de feira, mas o cenário na Central de Abastecimento da Bahia (Ceasa), localizado em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS) é desolador. Frutas como mamão, melancia e manga, quando já não encheram o contêiner de lixo, estavam espalhadas pelo chão, sendo disputadas por pombos, urubus, gatos e vira-latas.

Além desse lixo – o qual algumas pessoas carentes ainda tentam tirar algum produto para consumo –, parte da infraestrutura utilizada incomoda as pessoas que trabalham em um local onde há quase mil permissionários e movimenta cerca 600 mil toneladas de alimentos por ano, em sua maioria hortifrutigranjeiros.

As atuais condições do espaço são relatadas por pessoas que tem a Ceasa como local de trabalho, mas, por medo de represálias, a preferência é pelo anonimato. Um deles disse à reportagem da TB que, inclusive, andam sofrendo ameaças. A equipe procurou, por telefone, representantes da Associação dos Permissionários da Ceasa de Salvador (ASPEC) para falar sobre a situação, mas não obteve sucesso.

MELHORIAS

Por nota, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), informou que foi criada a Diretoria de Mercados e Centrais de Abastecimento, núcleo que integra a Superintendência de Desenvolvimento Produtivo (SUDEP), para assegurar a requalificação, melhorias na infraestrutura e modernização na gestão das Ceasas que o estado – além de Salvador, há pelo menos outros dois centros, localizados em Juazeiro e Paulo Afonso.

No espaço de Simões Filho, algumas ações prioritárias, conforme a secretaria, já foram desenvolvidas, por se tratar da maior do estado. Entre os procedimentos adotados estão a manutenção e adequação da cerca de segurança, requalificação do sistema de iluminação do equipamento, recuperação dos banheiros, higienização dos galpões e roçagem da área geral. “A SDE afirma que está em curso um levantamento de orçamento para execução de outras demandas e ressalta que nutre uma boa relação com a Associação de Permissionários da CEASA (ASPEC)”, explicou a SDE através da assessoria de comunicação.

Além disso, o órgão estadual explicou ainda que está realizando estudos, junto ao Bahiainveste (Empresa Baiana de Ativos S/A), visando apresentar ao Governo do Estado uma nova modelagem de uso dos equipamentos. “A pasta ressalta que tem por objetivo gerar um ambiente funcional, estruturado, seguro e organizado, tanto para os permissionários, quanto para os usuários das CEASAS”, disse a Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

HISTÓRICO

Fundada em 1973, com a finalidade de racionalizar e otimizar os processos de comercialização e abastecimento de produtos alimentícios, a Ceasa de Simões Filho surgiu devido ao crescimento dos centros urbanos do país. Assim, à época, o processo de distribuição de produtos hortifrutigranjeiros tornou-se complexo e oneroso. Aliado à precariedade dos mercados tradicionais, foi suscitada a necessidade de aperfeiçoamento das estruturas de comercialização desses produtos, possibilitando maior disciplina e organização do setor.

Nos anos 1970, o Programa Estratégico de Desenvolvimento e o 1º Plano de Desenvolvimento estabeleceram como prioridade a construção de Centrais de Abastecimento nas principais concentrações urbanas do país.

A partir desta decisão do Governo Federal, passaram a ser implantadas Centrais de Abastecimentos (CEASAs), destinadas à comercialização de produtos como hortaliças, frutas e ovos, além pescados e outros perecíveis, em todas as capitais brasileiras e nas principais cidades de cada Estado, constituindo o Sistema Nacional de Centrais de Abastecimento (SINAC). A gestão, na ocasião, ficou por conta da Companhia Brasileira de Alimentos (COBAL), atualmente Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB).

A central baiana está localizada no Km 5,5 da rodovia CIA-Aeroporto, e também tem como propósito disponibilizar infraestrutura, gerenciamento, apoio logístico e serviços complementares, priorizando a regularidade da oferta, o fluxo de informações no segmento da produção e o fortalecimento do livre comércio/regulação de mercado.

De acordo com a SDE, a Lei Estadual 14.032, de 18 de dezembro de 2018, modificou a estrutura organizacional da Administração Pública do Poder Executivo Estadual, extinguindo a Superintendência de Desenvolvimento Industrial e Comercial (SUDIC) e atribuindo à Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) as competências da autarquia extinta, dentre elas as pertinentes às operações da Ceasa, em Simões Filho, e dos Mercados Varejistas na capital, com os localizados nos bairros do Ogunjá, Paripe e Rio Vermelho.

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