Lavagem de Itapuã comemora 115 anos

O evento é promovido por baianas, trajadas a caráter, que levam potes de cerâmica com água de cheiro e flores para lavar a escadaria da igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã


Tribuna da Bahia, Salvador
13/02/2020 06:40 | Atualizado há 7 dias, 1 hora e 10 minutos

   
Foto: Romildo de Jesus / Tribuna da Bahia

Por: Poliana Antunes


A Lavagem de Itapuã acontece hoje e está completando 115 anos. Comemorada sempre na quinta-feira, é a última festa popular antes do início do Carnaval de Salvador. O evento é promovido por baianas, trajadas a caráter, que levam potes de cerâmica com água de cheiro e flores para lavar a escadaria da igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã.

De acordo com a Secretaria de Comunicação da Prefeitura (Secom), a programação começa logo nas primeiras horas da madrugada, quando às 2h, os moradores saem pelo bairro atrás do Bando Anunciador, que convida a comunidade a sair das próprias casas para participar da festa. Às 10h, será iniciado o cortejo das baianas em direção à igreja, onde acontece o ponto alto da festa. À tarde, é a vez dos blocos de chão fazerem a folia, arrastando milhares de foliões pelas ruas do bairro.

Após a lavagem das escadarias da igreja, localizada na Praça Dorival Caymmi, o ritual segue com samba de roda envolvendo toda a comunidade. Por volta das 12h, cerca de 200 baianas realizam a segunda lavagem na frente da igreja. A parte profana é sempre no turno da tarde e estende até a noite com desfile de blocos e bandas.

O órgão explica, ainda, que a festa dura mais três dias com uma programação que mescla atividades religiosas e culturais. Na sexta (14), atrações locais se apresentam no bairro em clima de ressaca. Já o sábado (15), será marcado por diversas práticas náuticas esportivas e ainda pelo Terno de Reis, manifestação cultural histórica feita por moradores locais, a partir das 18h. As celebrações chegam ao fim na segunda-feira (17), com a entrega de uma oferenda a Iemanjá, a partir das 15h, e uma peixada nativa, às 18h, na sede da Associação dos Moradores do bairro.

SERVIÇOS

Prevenção à violência

A Guarda Civil Municipal (GCM) atuará no festejo com 75 agentes distribuídos em operações distintas ao longo do dia. Os profissionais vão dar apoio à Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) nas barreiras de trânsito e farão a segurança patrimonial do posto de saúde instalado no circuito, além de realizar patrulhamento preventivo.

Fiscalização

Já a Secretaria de Desenvolvimento e Urbanismo (Sedur) vai atuar com 30 agentes para fiscalizar a exibição de publicidade e atuar na proteção às marcas patrocinadoras. Além disso, haverá orientação aos proprietários de bares sobre a proibição de comercialização de bebidas em garrafas de vidro, e fiscalização das atividades e obras irregulares.

Transporte

Em função da realização da lavagem, a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) disponibilizará 12 ônibus extras da frota reguladora para facilitar o transporte dos cidadãos. Os veículos estarão disponíveis das 15h30 às 23h, na Estação Mussurunga, e terão itinerários distribuídos pelas três áreas da cidade (Orla, Centro e Subúrbio), de acordo com a demanda. Além disso, todas as linhas de transporte urbanas que circulam na região estarão operando normalmente.

Trânsito

A Transalvador também terá um esquema especial de trânsito. As alterações começam a partir da 0h da quarta-feira (13), quando ficam proibidos a circulação e o estacionamento de veículos nas vias até as 19h, nas ruas Yemanjá (lado direito) e Paulo Afonso Baqueiro.

Barreiras

Serão montadas barreiras fixas ao longo do percurso da festa, das 4h às 19h, na Avenida Otávio Mangabeira, saída do estacionamento do antigo Casquinha de Siri e cruzamento com as ruas Rua Aristóteles da Costa Leal, Rua João da Silva Rego, Pirambeba, Albacora, Sargento Renato Santos, Beijupirá,

Palame e Genebaldo Figueredo – Hiper Boi; no cruzamento da Rua do Tamarineiro com a Praça do Tamarineiro e Ladeira do Abaeté; na Rua Aristides Milton / Praça Dorival Caymmi; na Travessa Genebaldo Figueredo; no cruzamento da Rua Genebaldo Figueredo com a Travessa Genebaldo Figueredo e com a Rua do Gravatá; e no cruzamento da Rua Aristides Milton com a Rua João do Peixe e Rotatória do Posto 12 (sentido Centro).

TRADIÇÃO

Surgida no século XIX, a Lavagem de Itapuã ocorria sempre no dia 2 de fevereiro, fruto de uma devoção dos pescadores a Nossa Senhora da Purificação. A partir da década de 1930, passou a ser realizada como devoção a Nossa Senhora da Conceição de Itapuã, na quinta-feira que antecede o Carnaval. Oficialmente, a festa completa 115 anos em 2020, mas, segundo o pesquisador Nelson Cadena, autor do livro “Festas Populares da Bahia. Fé e Folia”, o registro mais antigo do evento é de 1898, com atividades como a chegança e o quebra-potes.

Os historiadores dizem que no início havia também uma romaria de pescadores com oferenda à Iemanjá, antes mesmo da festa em reverência a orixá começar a ser realizada no Rio Vermelho. O ritual permanece, ainda que com menor repercussão. A Lavagem de Itapuã tem uma singularidade importante: a resistência do Bando Anunciador, que segundo o pesquisador, é a única manifestação das festas populares de Salvador que se mantém por décadas.

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