Triplicam os casos de zica, chinkungunya e dengue

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, enquanto em 2019 foram identificadas 461 pessoas com algum dos três tipos da doença, em 2020 o número pulou para 1.285


Tribuna da Bahia, Salvador
13/02/2020 06:40 | Atualizado há 7 dias, 2 horas e 26 minutos

   
Foto: Romildo de Jesus / Tribuna da Bahia

Por: Rayllanna Lima


O número de casos notificados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) das arboviroses dengue, chinkungunya e zika vírus mais que triplicou na comparação entre o início do ano passado e deste ano. Enquanto em 2019 foram identificadas 461 pessoas com algum dos três tipos da doença, em 2020 o número pulou para 1.285. De acordo com a SMS, o levantamento foi feito entre 29 de dezembro e 8 de fevereiro dos respectivos períodos.

Com o crescente índice de pessoas infectadas, uma série de ações estão sendo realizadas em combate ao Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão da doença. Nessa quarta-feira (12), agentes de endemias do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), iniciaram uma operação nos circuitos que serão palco do Carnaval este ano, a começar pelo Dodô (Barra/Ondina).

As equipes estão percorrendo ruas, vistoriando e aplicando inseticida em residências e imóveis abandonados. A ação começou pela Rua Greenfeld, na Barra, onde foram encontrados alguns focos do mosquito na casa de número 37. Somente naquela região, uma pessoa já foi diagnosticada com chinkungunya: Alessandra, de 23 anos, uma das cuidadoras de Dona Ana, de 87 anos, esta última que está sob suspeita de ter a doença. Ambas passaram a madrugada da última segunda (10) para terça-feira (11) com febre alta.

"Alessandra foi na UPA dos Barris e recebeu o diagnóstico. Dona Ana recebeu médico em casa, com os sintomas que também indicam. Ardeu com febre de 39 graus. É uma tremenda irresponsabilidade mesmo [vizinhos com imóveis abandonados e com focos do mosquito]. Não é possível que a pessoa não pode limpar a sua própria casa", disse a nora de Dona Ana, a enfermeira Sara Leiro, de 40 anos.

Em 2017, outra moradora da rua, dona Lívia Gomes, recebeu o diagnóstico de que estava com zika. A preocupação dela, e dos agentes que estiveram na rua, é justamente os imóveis que estão abandonados. "A situação está começando a se alastrar. Tem terreno baldio aí que está cheio de água parada. Você tem a sua casa limpa, livre de focos, para adquirir a doença por irresponsabilidade de vizinho que não mantém a sua própria casa limpa. Além de não cuidar do seu quintal, não cuidam da rua. As bocas de lobo vivem entupindo, porque jogam lixo. Acabam virando foco permanente de dengue. O pessoal vem, desentope, logo depois entope de novo. A gente se sente de braços atados, fica impotente", afirmou.

Tentando ajudar na atuação dos agentes da CCZ, dona Lívia e outros vizinhos buscaram contato com os proprietários de outros imóveis. In loco, a equipe de reportagem pode observar a mobilização dela e de outros vizinhos, que conseguiram ligar para uma senhora identificada como Ruth, responsável pela casa 128, uma das residências da rua que está fechada. Por telefone, Ruth conversou com o supervisor de equipe Jair Batista.

"A proprietária ficou de retornar entre hoje [quarta, 12] e amanhã [quinta, 13] para agendar uma visita, quando poderemos entrar no imóvel e fazer a fiscalização", explicou o agente. "A gente faz o que pode. Liga, fala, pede. Mas tem alguns vizinhos que nem assim. Dizem que vão limpar, retirar a água parada, mas acabam não fazendo nada. Fica você, com sua casa limpa, vítima de doença", disse.

Conforme apurado pela Tribuna com agentes da CCZ, quando a equipe não consegue contato com o proprietário, um relatório é enviado à SMS, que aciona a Secretaria Municipal da Fazenda para identificar o responsável do imóvel e, assim, permitir o acesso à residência.

Circuitos

A aplicação de larvicidas e borrifação a Ultrabaixo Volume (UBV) ocorre nos próximos dias 13, 17, 18 e 19 deste mês, nas localidades dos circuitos tradicionais (Barra/Ondina, Campo Grande e Pelourinho) e nos bairros que receberão a folia, como Cajazeiras X, Boca do Rio, Plataforma, Periperi, Pau da Lima, Itapuã e Liberdade.

A aplicação dos borrifadores ocorre sempre à noite ou em horários estratégicos para evitar aglomeração de pessoas. Além dos circuitos, os profissionais também intensificarão os trabalhos educativos no aeroporto, rodoviária, porto de Salvador, ferry boat e estações de transbordo prestando orientações a respeito de medidas de prevenção das doenças.

Equipes do CCZ também estarão de plantão durante todo o Carnaval, para realizar o bloqueio focal nas residências com suspeita de pessoas acometidas por alguma arbovirose. Os agentes estão com o trabalho totalmente concentrado na busca por criadouros do mosquito transmissor da dengue, zika vírus e chikungunya. As ações preventivas são feitas nas comunidades, com visitas nas casas e orientação aos moradores.

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