Estudo aponta que 24% das mulheres entre 30 e 34 anos têm níveis de reserva ovariana considerados reduzidos

O estudo foi conduzido pelo IVI


Tribuna da Bahia, Salvador
14/02/2020 14:06 | Atualizado há 5 dias, 22 horas e 18 minutos

   
Foto: Reprodução

Quando um casal decide procurar ajuda médica para conseguir engravidar, um dos motivos que os leva a isso pode ser a baixa ovariana. Nada mais é que a diminuição na quantidade de óvulos disponíveis no corpo da mulher, para haver a fecundação. Embora a diminuição progressiva da quantidade e da qualidade dos óvulos ao longo da vida seja um fato concreto, a fecundidade ainda varia significativamente entre as mulheres de uma mesma faixa etária. Uma grande parcela permanece com ciclos menstruais normais até chegar próximo à menopausa, tornando-se um desafio deduzir suas chances de concepção.

“Mesmo com tantas mudanças na sociedade ao longo dos anos, infelizmente o corpo da mulher ainda continua sendo gerido pelo tempo. A idade – até 35 anos - ainda estabelece o tempo ideal para uma mulher gerar um bebê. Isso, claro, dentro do ponto de vista biológico. O que acaba gerando um conflito de interesse entre o ritmo de vida da mulher moderna, que tende a ‘espichar’ o sonho da maternidade”, comenta Dr. Agnaldo Viana, médico do IVI Salvador.

Em estudo realizado pela IVI Espanha, foram oferecidas análises gratuitas para mulheres conhecerem sua reserva ovariana. Foi uma campanha para determinar o hormônio antimülleriano (AMH) destinado a mulheres entre 25 e 38 anos, interessadas em saber em que ponto estava sua fertilidade. E a principal conclusão tirada do estudo foi de que 24% das mulheres entre 30 e 34 anos têm níveis de reserva ovariana considerados reduzidos. Por outro lado, das mulheres com menos de 30 anos, 12% tinham baixa reserva ovariana e, entre as maiores de 35 anos, o percentual de baixa reserva subiu para 33%. Mais de 3.000 mulheres fizeram parte deste estudo e no final 10% optaram pelo tratamento reprodutivo (preservação da fertilidade ou fertilização in vitro).

A medicina vem desenvolvendo diversos métodos que auxiliam na análise dessa reserva, e o hormônio antimülleriano (AMH) é um deles. Muito utilizado atualmente, ele também é chamado de Substância Inibidora Mülleriana (MIS), e é um marcador da reserva ovariana, usado em técnicas de reprodução assistida com o objetivo de prever a resposta à estimulação ovariana controlada. Produzido pelas células do ovário, ele desempenha uma importante função na fisiologia ovariana, regulando o crescimento e desenvolvimento dos folículos (foliculogênese) durante a vida reprodutiva. Sua presença no corpo da mulher se inicia com o nascimento e a acompanha até a menopausa.

Como pode ser analisada a reserva ovariana

A análise é realizada através de exame de sangue simples e a dosagem do hormônio antimülleriano, que pode variar de < 0,16 ng/ml (baixa resposta) a > 4,0 ng/ml (alta resposta). Quanto menor for a taxa, mais baixa também será a quantidade e a qualidade dos óvulos disponíveis para serem fecundados, e vice-versa. O AMH é um dos exames que oferece a estimativa mais aproximada da quantidade de óvulos que uma mulher pode produzir, já que ainda não é possível saber o número exato. E, diferentemente de outros tipos de teste, a vantagem é que ele pode ser realizado em qualquer etapa do ciclo menstrual sem sofrer variações e, inclusive, mesmo com o uso de anticoncepcionais.

“Além de um importante marcador da reserva ovariana, o hormônio antimülleriano (AMH) também auxilia pacientes com síndrome dos ovários policísticos (SOP), doença que interfere no ciclo normal de ovulação. A indicação de realizar o exame deve ser sempre individualizada e solicitada pelo médico da paciente”, acrescenta Dr Agnaldo Viana.

Como a quantidade de óvulos que uma mulher possui interfere diretamente nas chances de uma gravidez, avaliar a reserva ovariana é uma das etapas fundamentais para quem deseja recorrer às técnicas de reprodução assistida e, para isto, o hormônio antimülleriano (HAM) é hoje um dos exames mais eficazes.

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