Rui contesta versão de advogado e diz que não deixará Bahia ser agredida

O governador Rui Costa (PT) contestou, ontem, a versão do advogado Paulo Emílio Catta Preta, que defendia o miliciano Adriano da Nóbrega


Tribuna da Bahia, Salvador
18/02/2020 14:36 | Atualizado há 17 dias, 6 horas e 23 minutos

   
Foto: Reprodução / Google fotos

Por: Rodrigo Daniel Silva


O governador Rui Costa (PT) contestou, ontem, a versão do advogado Paulo Emílio Catta Preta, que defendia o miliciano Adriano da Nóbrega. Em entrevista à imprensa nacional, o defensor afirmou que o cliente temia sofrer "queima de arquivo". O chefe do Palácio de Ondina declarou, ainda, que não vai permitir que a Bahia seja agredida depois de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dizer que a “PM da Bahia, do PT” matou o ex-capitão do Bope.

“A minha postura, como governador, é sempre de serenidade, transparência e evitar entrar no disse-me-disse da política. Durante todos os dias posteriores à ocorrência, eu procurei restringir a essa temática a uma operação policial, que envolve o Ministério Público. O governador não é gestor de operações policiais. Eu não estudei para isso. Quem estudou para isso e são treinados são policiais. (...) Agora, eu não posso me calar e não me calarei quando a Bahia for agredida, quando os baianos forem agredidos independente de quem esteja agredindo, mesmo que seja o presidente da República. A minha manifestação foi sair em defesa da Bahia e dois baianos”, declarou Rui Costa, durante o lançamento da Operação Carnaval 2020, da Secretaria de Segurança Pública (SSP).

“Eu espero que o presidente da República possa dedicar o seu tempo a cuidar do desemprego, do aumento da pobreza. Voltou a crescer o número de pobres. Milhares e milhares de pessoas foram retiradas do Bolsa Família sem explicações. O país está ficando mais pobre, mais desigual. O desemprego não para de crescer”, emendou.

Rui Costa afirmou, ainda, que a “indignação foi geral” entre os governadores brasileiros. Os gestores divulgaram uma carta ontem em criticaram a fala de Bolsonaro sobre a morte do miliciano. “(Manifestaram) total solidariedade ao estado da Bahia e pregando a defesa do pacto federativo. Os estados e municípios não podem ser agredidos de forma regular e constante pelo presidente da República. Governar não é isso. É preciso dar um basta nisso”, frisou o governador. Sobre a versão do advogado Paulo Emílio Catta Preta de que houve “queima de arquivo” com a morte do miliciano, Rui afirmou que é “meio artificial”.

Para o chefe do Palácio de Ondina, se o miliciano temia ser moto, ele deveria se entregar à Justiça e não fugir. Adriano da Nóbrega foi morto, na semana passada, após operação policial na cidade baiana de Esplanada. "Me parece estranha a declaração do advogado. Se qualquer um de vocês souber que tem um mandado judicial para se apresentar à Justiça, o que qualquer cidadão, que não tem nada a temer, faria? Iria se apresentar. (...) Me parece uma versão meio artificial essa teoria de que foi montada de que ele fosse um santo e fosse declarar tudo a Justiça", declarou.

O governador afirmou, também, que não há "nenhum motivo" para afastar os policiais que participaram da operação que resultou na morte do miliciano. "Não tem nenhum motivo, até o momento, apontando para o afastamento desses policias. Eles agiram dentro da lei", ressaltou. Segundo ele, o material apreendido – armas e celulares – foi enviado para o Rio de Janeiro. O petista deu alfinetada no presidente Jair Bolsonaro. "Todo material apreendido já foi enviado para o Ministério Público do Rio. Se há receio de alguém de saber se naqueles telefones têm o contato com autoridades do país, quem vai responder é o Ministério Público do Rio. (...) Quero tranquilizar para quem está preocupado. Não é a Bahia que vai apurar isso nem a Bahia que vai detalhar com quem o bandido, o marginal, mantinha conversa", declarou.

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