Temor de coronavírus derruba bolsas de NY e dispara "índice do medo"

Após o sino de abertura, o índice Dow Jones caiu mais de 900 pontos; já o Nasdaq abriu em queda superior a 4%; “índice do medo” disparou para 23,92 pontos


Tribuna da Bahia, Salvador
25/02/2020 07:00 | Atualizado há 13 dias, 22 horas e 54 minutos

   
Foto: Michael Nagle/Bloomberg

As bolsas de Nova York abriram em forte queda nesta segunda-feira, enquanto os brasileiros aproveitam o Carnaval. Os investidores de Wall Street seguem os movimentos vistos na Ásia e na Europa e foram às vendas diante do salto de novos casos de coronavírus fora da China, principalmente na Coreia do Sul, no Irã e na Itália, onde foi confirmada a sétima morte. As notícias aumentam os temores de que a epidemia vire uma pandemia e cause impacto maior do que o esperado na economia mundial.

Por volta de 13h20, o Dow Jones cedia 2,81%, aos 28.177,11 pontos, o S&P 500 recuava 2,83%, a 3.243,54 pontos, e o Nasdaq perdia 3,21%, a 9.269,37.

No domingo (23), o G20, grupo formado pelas 20 maiores economias do mundo, alertou que a epidemia representa um sério risco para a economia global.

O Covid-19 já reduziu a atividade na indústria e nas exportações da China e ameaça prejudicar o crescimento global, já que as fábricas em todo o mundo dependem de uma cadeia de suprimentos vinculada à China para muitos produtos intermediários e acabados. Autoridades e economistas estão alertando que o PIB global pode ser impactado em até US$ 1 trilhão.

"Não apenas os hubs industriais chineses estão bloqueados e descarrilam as cadeias de suprimentos globais, mas agora o vírus se espalha muito próximo dos hubs industriais da Europa", disse à Dow Jones Newswires Florian Hense, economista do Berenberg Bank.

Na Itália, mais de 50 mil pessoas não foram autorizadas a deixar suas cidades em quarentena no domingo. O epicentro da epidemia no país fica a poucos quilômetros de Milão, o motor da economia da Itália, e levou ao cancelamento de feiras, partidas de futebol e outros eventos públicos.

"O norte da Itália, a Suíça, o sul da Alemanha e a Áustria formam um grande centro industrial supranacional", disse Hense. "Se um bloqueio em pequenas áreas da Itália for ampliado, haverá uma interrupção muito mais significativa para fabricantes de automóveis alemães na Europa", destacou.

As ações das companhias aéreas estão levando uma surra hoje tanto na Europa como em Wall Street. Os papéis da Apple recuavam mais de 4% - a empresa é fortemente exposta ao mercado da China tanto na relação com seus fornecedores como com os consumidores.

Diante do pessimismo geral que toma conta dos mercados hoje, as montadoras americanas também veificam perdas.

Em uma entrevista à CNBC, o bilionário Warren Buffett indicou que a diversificação de investimentos e negócios de sua empresa mostra que a atividade está ligeiramente mais branda agora do que há seis meses, mas ele se mantém otimista de que a situação será passageira.

Índice do medo

O Índice de Volatilidade Cboe, ou VIX, conhecido como o “índice do medo” das bolsas de Nova York, disparou para 23,92 pontos no início da sessão. Se fechar neste nível, atingirá a máxima desde agosto de 2019.

O índice é baseado em opções do S&P 500 e sobe quando o mercado cai. O referencial reflete a procura por contratos derivativos futuros para proteger os seus portfólios.

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