Membro mais antigo do COI diz que Tóquio 2020 corre risco se coronavírus seguir forte até maio

Dick Pound, na organização desde 1978, acredita que o vírus é a "nova guerra" e que as pessoas vão se questionar sobre segurança dos Jogos caso o surto prossiga. Porém, crê na realização


Tribuna da Bahia, Salvador
25/02/2020 13:40 | Atualizado há 13 dias, 16 horas e 1 minuto

   
Foto: Getty Images

Faltam 153 dias para os Jogos Olímpicos de Tóquio, ou seja, pouco mais de cinco meses. No entanto, a garantia de que as competições serão mesmo realizadas depende do controle do coronavírus. Na visão de Dick Pound - desde 1978 no Comitê Olímpico Internacional (COI); é o membro mais antigo da organização - os responsáveis pelo evento devem ter até três meses para tomar uma decisão segura. Se a situação ficar incontrolável por volta de maio, o cancelamento parece uma realidade.

- Você provavelmente está visualizando um cancelamento (se o vírus ficar incontrolável em maio). Essa é a nova guerra e você tem que encarar isso. Por volta dessa data, eu diria que o pessoal vai ter que perguntar: "Isso está sob controle o suficiente para que possamos estar confiantes em viajar para Tóquio, ou não?" - disse Pound, em entrevista à agência de notícias "AP".

Pound afirmou que é possível aguardar até dois meses antes do início dos Jogos porque é nesta época que os últimos ajustes começam a ser feitos, em pontos como a segurança, as Vilas Olímpicas e os estúdios de mídia.

O coronavírus teve seu epicentro na cidade de Wuhan, na China, e vem se espalhando em menor escala por diversos países. O Japão, sede dos Jogos, já teve uma morte confirmada, além de três outras vítimas no cruzeiro turístico Princess Diamond, que atracou no país. E não é só na Ásia: a Itália, por exemplo, já registrou sete vítimas e 190 infectados.

Para Dick Pound, porém, os indicativos dão conta de que será possível realizar a Olimpíada em Tóquio. Ele também garantiu que o Comitê Olímpico Internacional agirá de forma responsável e não vai mandar ninguém "para uma pandemia":

- Até onde eu sei, vocês vão estar em Tóquio. Todas as indicações nessa fase são de que tudo será como sempre. Então, continue focados em seu esporte e tenha certeza de que o COI não vai mandar você para uma pandemia.

Recentemente, Yoshiro Mori, presidente do comitê organizador dos Jogos Olímpicos, afirmou que não há qualquer plano para um cancelamento e disse que a realização não corre riscos. Porém, a preocupação existe: o próprio Mori disse que "reza todos os dias" para que o coronavírus desapareça antes do início das competições.

Para Pound, a decisão pelo cancelamento tem uma importância enorme e só deve ser tomada com fatos concretos que deem base aos organizadores. Por outro lado, a alternativa de mudança de sede também existe, mas é complexa:

- Mudar (os Jogos) de lugar é difícil, porque existem poucos lugares no mundo que poderiam pensar em se preparar num curto espaço de tempo para apresentar algo - avaliou.

Em toda a história, os Jogos Olímpicos foram cancelados em apenas três oportunidades: em 1916, por conta da Primeira Guerra Mundial, e em 1940 e 1944, em decorrência da Segunda Grande Guerra.

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