ARTIGO: A popularidade de Bolsonaro

Por: Adilson Fonseca


Tribuna da Bahia, Salvador
26/02/2020 06:40 | Atualizado há 7 dias, 9 horas e 11 minutos

   

Perdeu quem apostou que este seria o carnaval mais politizado dos últimos anos, e que o presidente Jair Bolsonaro seria figura-chave das críticas nas ruas. As escolas de samba no Rio de Janeiro e São Paulo, bem que fizeram o seu papel, aliás, algo que já vinha sendo feito, com críticas a valores tradicionais dos brasileiros, nos últimos anos, desde às políticas sociais até mesmo a Jesus Cristo e a religiosidade cristã.

Mas se esperavam um comportamento uníssono dos brasileiros nas ruas, o eco crítico anti-bolsonaro das escolas de samba ecoou, em sua maior parte, no vazio. Até mesmo duas das agremiações, como a Mancha Verde, de São Paulo, e a Vigário Geral, do Rio de Janeiro, foram vaiadas, quando seus enredos criticaram o governo Bolsonaro, principalmente no que se refere à segurança pública.

Em Salvador, afora o tradicional ranço crítico, a Mudança do Garcia, com os mesmos personagens de 30 anos atrás, da época da Guerra Fria e da luta Capitalismo x Socialismo, já não empolga mais o público como antes. O folião estava muito mais preocupado com as performances de Pablo Vittar, com os rebolados de Anitta ou com os chamamentos do gueto, de Igor Kannario e do pancadão punk do La Fúria.]

Ao longo da Avenida Sete, culminando com a Castro Alves, de Leo Santana, Parangolé, Lá Furia, Igor Kannario e as Muquiranas e as Kuviteras, blocos de forte apelo popular da periferia de Salvador, todos pareceram ignorar por completo os “fora” isso ou aquilo, e estavam mais preocupados em satisfizeram a vontade popular de brincar o carnaval, sem o clima raivoso e de terceiro turno eleitoral que tentam impor ao país.

Ambulantes, barraqueiros, taxistas e uberistas, todos estavam preocupados muito mais em ganhar um dinheiro extra com a festa, e aproveitando para brincar em cada intervalo possível, do que propriamente usar a ocasião para fazer política. E agradeceram aos quase 10 dias de carnaval, porque ganharam o que não seria possível (para os que estão empregados) ganhar em um mês de trabalho.

E lá no Guarujá, litoral de São Paulo, onde foi passar o feriadão, o presidente Jair Bolsonaro esbanjou popularidade nas ruas. Tomou café em uma padaria e no dia seguinte circulou em um supermercado, seguido por simpatizantes que queriam fotografá-lo, abraça-lo e tirar a famosa selfie. Não houve os gritos e apupos de “fora” ou algo semelhante, da mesma como quase que diariamente ocorre nas cercanias do Palácio do Alvorada, que se transformou em um point turístico de Brasília, com multidões querendo ver o presidente mais de perto.

A disputa de 2022 ainda está longe, mas para quem, a princípio estaria em apuros popular, Jair Bolsonaro está se saindo bem. E ao contrário dos apelos dos que ainda pensam em um terceiro turno, está podendo circular pelas ruas com tranquilidade e receptividade favorável da população.


* Adilson Fonseca é Jornalista e escreve neste espaço sempre às quartas-feiras.

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