Mobilidade urbana decepciona aos foliões no final da festa

A mobilidade urbana – mais uma vez – voltou a decepcionar os foliões da maior festa popular do mundo: o Carnaval de Salvador


Tribuna da Bahia, Salvador
26/02/2020 11:50 | Atualizado há 4 dias, 1 hora e 26 minutos

   
Foto: Reginaldo Ipê / Tribuna da Bahia

Por: Lício Ferreira


A mobilidade urbana – mais uma vez – voltou a decepcionar os foliões da maior festa popular do mundo: o Carnaval de Salvador. Foi isto, que vimos e ouvimos tanto por parte de baianos quanto dosvisitantes, entre eles de um animado grupo de jovens do município de Valinhos, interior de São Paulo, liderados por Jussara.Com ela estavam Daniel, Gisele, Pedro, José Carlos e Raissa.

“Viemos curtir o tão badalado Carnaval de Salvador e estamos felizes com o que vimos e ouvimos. Entretanto, na questão da mobilidade urbana, encontramos dificuldades com relação aos taxis e aplicativos de transporte”, avisou a líder Jussara. Quando nos encontramos, dentro do metrô de saída da Estação Aeroporto, em direção ao Acesso Norte soubemos do grupo, que queriam viver a experiência do Carnaval do Pelourinho. Mas, antes, tinham um outro compromisso: o de pegar os abadás, no Shopping Paralela e fazer a customização das peças.

E o grupo revelou dois episódios decepcionantes com a mobilidade urbana: “Fizemos um contato com um motorista de Uber e ele marcou a viagem conosco. Logo, em seguida, desmarcou e depois voltou a nos ligar. Disse que poderia nos levar com uma diferença a ser paga por fora. Claro que não aceitamos. Nós íamos fazer compras num supermercado próximo a Villas do Atlântico, onde estamos hospedados. Ficamos prejudicados pelo atraso. Ainda ontem (sábado), também quando estávamos saindo do circuito Barra-Ondina, de volta para casa, um taxista quando soube o nosso destino desistiu da viagem. Disse que era muito longe, mesmo tendo pedido R$ 200,00. Esperamos outro veículo e negociamos o valor com o motorista”. Apesar desses ‘perrengues’ eles prometem que vão retornar à folia baiana em 2021.

QUEIXAS E RECLAMAÇÕES

Apesar dos esforços da Prefeitura de Salvador em atender aos foliões, com qualidade e segurança, as queixas e as reclamações eram ouvidas, aqui e ali, em todos os circuitos por onde estivemos. Ouvidos pela Tribuna da Bahia, alguns foliões ressaltavam ações, envolvendo horários especiais de ônibus; pontos especiais para táxis; mototáxis e transportes via aplicativo. E justiça seja feita, muitos até aplaudiam as inovações, como a da criação da linha de ônibus especial entre os municípios de Salvador e Lauro de Freitas, que funcionava apenas no horário da madrugada.

Saudada pelos foliões de Lauro de Freitas, como Jeferson Batista, conhecido como Dudu, a linha Lapa x Terminal Aeroporto (retornando nas imediações do novo Parque Shopping) circulava apenas no horário em que o serviço do metrô ficava suspenso. “Foi uma ideia realmente genial a criação dessa linha de transporte, unindo os dois municípios vizinhos. Porém, ao meu modo de ver, a linha poderia circular, também, em horários diurnos. Afinal, algumas pessoas que moram em Lauro de Freitas – como eu - preferem retornar mais cedo às suas casas”, comentou.

A queixa dos usuários – como não poderia deixar de ser - era mais forte na volta do folião para casa. Todos se referiam à falta de um policiamento adequado para evitar a balbúrdia, na entrada dos coletivos. “Isto, poderia ter sido evitado; mas, infelizmente, ocorreu várias vezes, principalmente nos horários de pico por pura falta de organização e de educação das pessoas”, disse uma constrangida senhora, que não quis se identificar.

FROTA TOTAL

A Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) informou que o serviço de transporte coletivo funcionou com frota total, englobando cerca de 400 linhas de ônibus e 2.300 veículos em três faixas horárias e atendendo conforme a demanda apresentada. Os maiores aplausos foram para a linha gratuita: Lapa/Calabar, com uma frota de 72 veículos, operando 24 horas. A única queixa era a distância final até o circuito Barra- Ondina. “A caminhada é longa, adiantou um senhor com mais de 60 anos. O retorno se torna mais puxado depois do desfile que viemos assistir”, comentou discretamente. A linha gratuita saia do subsolo da Estação da Estação Lapa até o Calabar, sendo a única que circulava pela Avenida Centenário durante a folia.

Também para ajudar a mobilidade urbana dos foliões os micro-ônibus do Subsistema de Transporte Coletivo Complementar (Stec) também estavam disponíveis no Carnaval. Eram cerca de 250 veículos distribuídos em 55 linhas que operavam todos os dias, atendendo aos trechos do Vale do Canela, Av. Garibaldi e Praça Cairu, com roteiros para Paripe, Ceasa, São Cristóvão, Periperi, Cajazeiras, Itapuã e Brasilgás.

Os foliões também tiveram assim como – em anos anteriores - o serviço Expresso Carnaval, com ônibus especiais saindo dosshoppings Salvador; Salvador Norte e do Paralela, sempre a cada 20 minutos e sem paradas no percurso.

TÁXIS QUESTIONADOS

Embora a Prefeitura de Salvador tenha garantido a circulação de  toda a frota de táxi - cerca de 7.200 veículos - inclusive autorizados a utilizar da Bandeira 2, a partir das 18 horas, alguns gananciosos e maus prestadores de serviços deixaram dezenas de foliões muito tristes e decepcionados. No circuito Barra-Ondina, por exemplo, alguns taxistas não queriam respeitar a tabela do taxímetro. E multiplicavam os valores das viagens ao bel prazer e de forma absurda e aleatória.

Os foliões, que optavam por este meio de transporte, exigiam respeito à tabela de referência de preço de corrida, com base na origem/destino. Mas a tabela, que podia ser adquirida em alguns dos postos de informação ou acessada no site, não era respeitada por alguns motoristas.Através mensagem pelo WhatsApp, o secretario municipal da Mobilidade, Fábio Mota disse que com relação às queixas contra os taxistas,é precioso que elas sejam feita formalmente à Coordenação de Táxis da Semob (Cotae) para que a secretaria abra um processo interno e notifique o motorista

que cometeu a pretensa irregularidade. Se ele for configurada, ele pode chegar até a perder a concessão do serviço”.

Com relação aos ônibus ele foi bastante sucinto: “Já existe uma concessão que define uma regra com direitos e deveres da concessionária”. Ressaltou, ainda, os números do transporte na folia até o último domingo 23. “Estamos com 2.700 ônibus na rua, em 90 linhas. Cerca de 5 milhões de pessoas já foram transportadas no Carnaval, 6% a mais do que no ano passado”, finalizou.

MOTOTÁXI ELOGIADOS

Já o serviço dos mototaxistas com 1.500 credenciados pela Prefeitura de Salvador não recebemos grandes reclamações. Um bom exemplo acompanhamos de perto nas proximidades do Calabar. Conversamos com Edmilson Francisco, que estava entusiasmado pela sua performance neste período de festa. “Esse carnaval foi maravilhoso em ganhos financeiros. Espero, no final da festa ficar com R$3 mil livres no bolso. Eu procuro atender aos meus clientes sempre de maneira honesta de maneira que eles se sintam muito bem, Cheguem rápido aos seus destinos e com toda segurança”. Numa corrida entre o Calabar e o Campo Grande, o mototaxista estava cobrando R$15,00 dos clientes e ninguém reclamava dos preços na fila.

ELEVADORES E PLANOS

Assim como em anos anteriores, os ascensores da capital baiana também estiverem em pleno funcionamento no período do Carnaval. Todos funcionaram gratuitamente, subindo e descendo levando os foliões. Tanto o Elevador Lacerda quanto o Plano Inclinado Liberdade-Calçada funcionaram bem durante todo o carnaval. Já os planos inclinados Gonçalves e Pilar tiveramdias de funcionamento bem definidos e estão retomando as atividades normais nesta Quarta de Cinzas 26, a partir das 12h.

O sistema metroviário Salvador – Lauro de Freitas, da CCR Metrô Bahia preparou um esquema especial de funcionamento das 4h30 às 1h30 para embarque na Estação Lapa. Até as 4h50 e depois da 00h, as demais estações funcionavam apenas para desembarque. Ao todo, estiveram em operação 35 trens.

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