Sesab descarta mais um caso de coronavírus na Bahia

Em nota divulgada ontem, o órgão informou que, além desta, outras três amostras que haviam sido encaminhadas para o Laboratório Central da Bahia (Lacen), na capital baiana, deram negativo para a doença


Tribuna da Bahia, Salvador
27/02/2020 06:40 | Atualizado há 11 dias, 23 horas e 40 minutos

   
Foto: Reuters/BENOIT TESSIER

Por: Yuri Abreu


A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) descartou um possível caso de coronavírus em um bebê que está internado no Hospital Manoel Novaes, em Itabuna, no sul do estado. Em nota divulgada ontem, o órgão informou que, além desta, outras três amostras que haviam sido encaminhadas para o Laboratório Central da Bahia (Lacen), na capital baiana, deram negativo para a doença.

O bebê (de um ano), o pai, a mãe a avó dele estiveram em viagem pela Europa e passaram pela Itália – país que já confirmou 12 mortes pelo novo coronavírus, além dos mais de 220 casos registrados –, chegaram há 12 dias em Itabuna. Conforme a secretaria, a criança precisou ser internada em isolamento com sintomas respiratórios, na unidade de saúde.

Ainda de acordo com a Sesab, os exames foram processados seguindo protocolos internacionais, através de exame PCR (Proteína C Reativa) para Influenza e outros vírus respiratórios. Na amostra da criança, que encaminhada ao Lacen, foram detectados rinovírus, coronavírus NL63 e enterovírus. Na amostra do pai foi detectado o coronavírus NL63 e na da mãe foram detectados rinovírus e coronavírus NL63. Já na amostra da avó foram detectados enterovírus e rinovírus.

Vale lembrar que na última terça-feira também foi descartado um caso da doença em uma mulher que foi internada no Hospital Prado Valadares, na cidade de Jequié, no sudoeste baiano. Ela, que viajou para a cidade de Siena, no norte da Itália, deu entrada na unidade de saúde com problemas respiratórios no dia 14 deste mês. Contudo, exames realizados detectaram a infecção pelo vírus da Influenza A. O resultado também foi confirmado pelo Lacen, mas a paciente permaneceu em isolamento por precaução.

De acordo o com Ministério da Saúde, a maioria das pessoas se infecta com os coronavírus comuns ao longo da vida, sendo as crianças pequenas mais propensas a se infectarem com o tipo mais comum do vírus, a exemplo do NL 63. Por outro lado, os rinovírus são os mais conhecidos vírus que causam o resfriado comum. Nesse grupo, também estão os enterovírus. Já o novo agente do coronavírus (SARS-CoV-2) foi descoberto no dia 31 de dezembro do ano passado, após casos registrados na China.

PRIMEIRO CASO NO PAÍS

Ontem, o Brasil confirmou o primeiro caso do novo coronavírus em um país da América Latina. De acordo com o Ministério da Saúde, trata-se de um homem, de 61 anos, que deu entrada na última terça-feira no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, com histórico de viagem para a região da Lombardia, na Itália.

Assim, o órgão federal, em conjunto com as secretarias municipal e estadual de saúde do estado da Região Sudeste, estão investigando o caso desde então, realizando a identificação dos contatos no domicílio, hospital e voo, com apoio da Anvisa, junto à companhia aérea, que trouxe tripulação e passageiros da Europa. Além do Brasil, Estados Unidos (14 casos) e Canadá (11), foram os países com registros do novo coronavírus em todas as Américas.

Ao confirmar o caso aqui no país, o titular da pasta, Luiz Henrique Mandetta, reforçou que já era esperada a circulação do vírus, mas que, diferente dos demais países com transmissão, o Brasil ainda não está no inverno – período em que há maior risco de contágio.

“É mais um tipo de gripe que a humanidade vai ter que atravessar. Das gripes históricas com letalidade maior, o coronavírus se comporta à menor e tem transmissibilidade similar a determinadas gripes que a humanidade já superou”, explicou. “Nosso sistema já passou por epidemias respiratórias graves. Iremos atravessar mais esta, analisando com os pesquisadores e epidemiologistas brasileiros, qual é o comportamento desse vírus em um país tropical”, acrescentou Mandetta, em entrevista coletiva realizada em Brasília, na manhã da quarta-feira de Cinzas.

O ministro da Saúde garantiu ainda que “a população brasileira terá todas as informações necessárias para que cada um tome suas precauções que são cuidados com a higiene e etiqueta respiratória, como lavar as mãos e o rosto com água e sabão. Este é um hábito importante e higiênico para evitar não só doenças respiratórias como outras doenças de circuito oral”.

Para o gestor, o Brasil está preparado para testar os casos e para garantir que casos confirmados sejam monitorados e tratados. “Agora vamos acompanhar o comportamento do vírus no hemisfério sul, qual o grau de transmissibilidade e letalidade. Gostaria de parabenizar o sistema de vigilância, os laboratórios, o Instituto Adolfo Lutz, pela agilidade para realizar os exames e a contra-prova. Vamos sair mais forte do que entramos e com mais capacidade de reagir a essas situações”, garantiu Luiz Henrique Mandetta.

Até ontem, 20 casos suspeitos de infecção pelo coronavírus são monitorados pelo Ministério da Saúde em sete estados do país (Paraíba, Pernambuco, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina). Ao todo, outros 59 casos suspeitos já haviam sido descartados após exames laboratoriais apresentarem resultados negativos para o novo coronavírus.

PREVENÇÃO

Mesmo sem registro de casos do novo coronavírus aqui na Bahia, é importante que as pessoas procurem se prevenir da melhor forma possível para evitar contrair a doença. Segundo o Ministério da Saúde, alguns cuidados básicos podem ser adotados pela população para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir não apenas esta doença, como outras infecções respiratórias agudas.

Entre elas, estão: lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos. Se não houver água e sabonete, usar um desinfetante para as mãos à base de álcool; evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas; evitar contato próximo com pessoas doentes; ficar em casa quando estiver doente; cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo; e limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com freqüência.

Por outro lado, os profissionais de saúde devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas (máscara cirúrgica, luvas, avental não estéril e óculos de proteção). Já para a realização de procedimentos que gerem aerossolização de secreções respiratórias como entubação, aspiração de vias aéreas ou indução de escarro, deverá ser utilizada precaução por aerossóis, com uso de máscara N95.

Mas, se a pessoa já contraiu o novo coronavírus, é indicado repouso e consumo de bastante água, além de algumas medidas adotadas para aliviar os sintomas, conforme cada caso, como, por exemplo, o uso de medicamento para dor e febre (antitérmicos e analgésicos) e tomar banho quente para auxiliar no alívio da dor de garanta e tosse. O ministério também alerta que, quando surgirem os primeiros sintomas, é fundamental procurar ajuda médica imediata para confirmar diagnóstico e iniciar o tratamento. Ainda não existe vacina para combater a doença. Mais informações sobre o novo coronavírus podem ser obtidas através do site: https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/coronavirus.

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