Paulo Carneiro explica desmanche do sub-23 e prevê recomposição no caso de retorno do estadual

Com paralisação do futebol no Brasil, continuidade do Campeonato Baiano vira uma incógnita


Tribuna da Bahia, Salvador
20/03/2020 13:30 | Atualizado há 9 dias, 23 horas e 42 minutos

   
Foto: Maurícia da Mata / EC Vitória

A pandemia de coronavírus obrigou o futebol brasileiro a ter as atividades paralisadas. A CBF suspendeu a realização de jogos por competições nacionais, e a Federação Bahiana de Futebol (FBF), após anunciar a realização de partidas com portões fechados, voltou atrás e interrompeu o Campeonato Baiano. Com o calendário suspenso, o Vitória decidiu dissolver o elenco sub-23. Os jogadores com idade sub-20 voltarão para as categorias de base, enquanto os que possuem mais de 20 anos podem ser emprestados. O técnico Agnaldo Liz foi demitido na última quinta-feira.

Nesta sexta-feira, em vídeo gravado para a TV Bahia, o presidente rubro-negro Paulo Carneiro explicou a medida. Ele afirmou que o encerramento da categoria neste momento é necessário para não impactar negativamente na vida financeira do clube.

- Olha, a dissolução do time de aspirantes é uma coisa extremamente necessária. Nós montamos um programa de desenvolvimento esportivo esse ano para valorizar o nosso trabalho de formação e os resultados estavam sendo além do esperado. O time de aspirantes fazendo uma boa campanha no Campeonato Baiano, com ótimas chances de brigar ao final da fase de classificação entre os primeiros, faltando dois jogos. Só que aconteceu tudo o que aconteceu e nós temos que tomar decisões, porque ao lado dessas questões tem os custos fixos do clube, que precisam ser continuamente administrados. O Vitória está longe de sair da crise financeira que nos foi imposta há mais de um ano. O que fazemos foi o seguinte: temos cerca de quinze jogadores entre contratos longos e idade sub-20, o que fizemos foi remanejar dois terços do time de aspirantes para essa situação e aguardar o que vai acontecer – disse Paulo Carneiro.

Como não existe uma definição sobre quanto tempo o futebol brasileiro ficará paralisado, a continuidade dos estaduais virou uma incógnita. Na última quinta-feira, a presidente da Federação Paraibana de Futebol (FPF), Michelle Ramalho, que participou de reunião com o comandante da CBF, Rogério Caboclo, afirmou que o plano é de que o Campeonato Brasileiro passe por mudanças para proporcionar que os estaduais de 2020 possam ser concluídos.

Paulo Carneiro afirmou que, se o Campeonato Baiano voltar a ser disputado nesta temporada, remontará o elenco sub-23. O Rubro-Negro é o 4º colocado da competição, restando duas rodadas para o fim da primeira fase.

- Se tiver que voltar o estadual, vamos recompor esse elenco rapidamente e saberemos o que fazer, porque teremos que ter um tempo mínimo de uma semana para nos preparar. Acho, pessoalmente, difícil a volta do estadual. Não vejo solução para esse nosso problema sanitário, vamos chamar assim, em tão curto tempo. Essa decisão não deverá ser revertida e o estadual não deve terminar esse ano. Apesar de que a CBF está dando declarações que vai priorizar o término dos estaduais e até mudar o modelo de disputa do Brasileiro. Aí envolve outros fatores, outros agentes, contratos de televisões, que são vendidos por jogos transmitidos, com isso com certeza teremos redução nos valores do direito de transmissão e vai refletir em todos os clubes. Acho que o calendário brasileiro não merece que se faça um sacrifício em prol da competição deficitária, em desfavor da competição superavitária que são os campeonatos brasileiros de diversas categorias. Penso dessa forma. Vamos ver o que a CBF define. Hoje à tarde tem reunião da CBF com a comissão nacional de clubes. Embora a pauta seja para falar das questões trabalhistas, espero que os clubes possam estender a discussão sobre a situação financeira dos clubes nesse período e a questão do calendário. Essa é a percepção que tenho – opinou o dirigente.

A continuidade do Campeonato Baiano é complexa. Clubes do interior do estado afirmam que possuem contratos com jogadores até o fim de abril e não possuem recursos para prorrogar os vínculos por mais tempo. Na última quarta-feira, em entrevista ao comentarista Gustavo Castellucci, da TV Bahia, o vice-presidente da Federação Bahiana de Futebol (FBF), Manfredo Lessa, se mostrou pessimista.

- Infelizmente sim. Temos problemas com contratos de atletas questão expirando e de calendário. Se a situação se prorrogar por muito tempo, vai acabar sendo inviável o prosseguimento das competições estaduais – disse Manfredo Lessa.

Situação ficou muito complicada. A gente tem que ser realista no momento. Vamos tentar de tudo. Acho muito pouco provável que a gente consiga concluir o Campeonato Baiano esse ano.

Oito times disputam quatro vagas para a semifinal do Campeonato Baiano. Bahia, Jacuipense, Bahia de Feira e Vitória formam o G-4 da competição. Atlético de Alagoinhas, Juazeirense, Flu de Feira e Vitória da Conquista tentam beliscar uma vaga.

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