“Procura de clientes presenciais está abaixo da expectativa e retomada ficará mais para a frente”

Superintendente do Sebrae acredita que modelo de home office vai permanecer pós-pandemia

Tribuna da Bahia, Salvador
10/08/2020 10:25 | Atualizado há 17 dias, 19 horas e 26 minutos

   
Foto: Divulgação

Por: Guilherme Reis - Editor de Política; Henrique Brinco - Repórter e Paulo Roberto Sampaio - Diretor de redação


O superintendente do Sebrae na Bahia, Jorge Khoury, avalia que a retomada econômica após o estabelecimento de protocolos para reabertura de empresas fechadas em função da pandemia do novo coronavírus está acontecendo em ritmo lento.

O baiano, que é ex-secretário de Educação de Salvador e ex-deputado federal, acredita que os micro e pequenos empresários não conseguirão superar a crise ainda em 2020, e também não devem crescer em 2021. "Vai ter casos que a gente está vivenciando em que está havendo retorno, mas a procura de clientes presenciais está sendo bem abaixo da expectativa e empurrando ainda mais para a frente a retomada. Isso para aqueles que ainda estão em condições, porque muitos deles já se entregaram e encerraram seus negócios. Então, realmente é muito complicado o momento em que estamos vivendo", avalia, em entrevista à Tribuna.

Ele avalia que a reforma tributária que está sendo discutida em Brasília precisa ser pensada num modelo para desonerar o empreendedor. "A gente ainda não tem muita clareza sobre como adequar essas questões. Evidente que estamos atentos no sentido de preservar, em nível geral, a economia do país como um todo e todo o setor empresarial, independente do tamanho. Tudo aquilo que venha representar aumento de gasto a nível de tributo é pernicioso. Diria que nem só o aumento, mas a manutenção do que está já é pernicioso", destaca.

Khoury também defende que o modelo de home office deve permanecer após o período: "Isso vai diminuir custos fixos de empresas que estavam alugando não sei quantos imóveis e tal. Vai ficar apenas o que tem que ter o presencial. Ficou claro que na pandemia que é possível trabalhar em home office com resultados iguais ou até melhores. Então, a ideia da reinvenção é uma verdade. Se ainda não trabalha com vendas online, delivery, essa é a hora de implantar o serviço. A presença do digital deixa de ser uma tendência para ser uma necessidade".

Tribuna – Qual é a sua avaliação da crise do coronavírus que, de certa forma, agravou a conjuntura econômica que o Brasil já estava enfrentando? O nível de desemprego voltou ao patamar superior ao de 13%, o mesmo de 2017.

Jorge Khoury - Na verdade, nós vínhamos vivendo um momento de depressão muito grande na área econômica e isso, logicamente, tudo que é difícil para todos é muito mais ainda para os pequenos. Então, essa dificuldade que vivíamos antes da pandemia já tinha deixado agravada a situação dos pequenos negócios. Com a pandemia, esse setor foi tremendamente afetado. As micro e pequenas empresas, os MEIs... A tendência realmente é que, cada dia que está passando, a dificuldade aumente. Isso tem nos mobilizado a todo custo. Temos tido todo um trabalho remoto de atendimento que tem sido inclusive maior que o tradicional, presencial. O número de pleitos, de solicitações e de ações que temos recebido é muito maior que, por exemplo, os três primeiros meses do ano. Então, isso demonstra realmente que fragilizou bastante o segmento das pequenas empresas e negócios. Agora, por exemplo, com a retomada da economia e da cidade, não voltará a ser na velocidade que a gente quer e nem tampouco 100%. Vai ter casos que a gente está vivenciando em que está havendo retorno, mas a procura de clientes presenciais está sendo bem abaixo da expectativa e empurrando ainda mais para a frente a retomada. Isso para aqueles que ainda estão em condições, porque muitos deles já se entregaram e encerraram seus negócios. Então, realmente é muito complicado o momento em que estamos vivendo.

Tribuna – Os senhores já têm um balanço parcial, por exemplo, sobre a quantidade de empresas que fecharam ou postos de emprego nesses últimos meses?

Jorge Khoury – Cada dia é um dia. Tem uma curva de junho, em que 50,5% mudaram a forma de funcionamento para o serviço delivery. 85% utilizam o WhatsApp como canal de comunicação. 86% afirmam que esse faturamento diminuiu. 61% foi a média de diminuição de faturamento das empresas. De 34% a 41% falaram que estão com dívidas ou empréstimos atrasados. Enfim... O que quero dizer é que o problema maior foi exatamente com relação ao crédito. A dificuldade do crédito. Tenho conversado com os superintendentes dos bancos oficiais – Banco do Brasil, Caixa e Banco do Nordeste – e o que eles têm dito é que na verdade é que às vezes eles colocam que não tem crédito. E eles têm colocado também que não é que não tem crédito. É que a demanda nesse momento é tão maior do que o convencional há necessidade de ter mais disponibilidade e mais oferta de crédito. O que estamos precisando é um volume maior, porque a demanda é maior que a tradicional. A segunda questão é a digitalização, o trabalho remoto. No entanto, nem todos os micros e pequenos negócios podem fazer isso.

Tribuna – Os empresários baianos estão tendo dificuldade para utilizar as ferramentas digitais?

Jorge Khoury – Num primeiro momento, eles têm dificuldade. No entanto, com todo esse avanço que tem acontecido – e não digo só a questão da pandemia, mas a questão dos aplicativos e smartphones – isso aí ajudou muito. Tanto é que, no caso do WhatsApp, tem sido a ferramenta número 1 do trabalho deles. A ideia de entrar em plataformas e de ter outras alternativas que sejam mais ágeis ainda não estão com a velocidade que poderiam ter. Costumo dizer que a gente, no Sebrae, com a estrutura que nós temos em todas as instituições do país, estamos trabalhando com a questão digital nesse período de pandemia.

Tribuna – Como o Sebrae está se articulando nesse momento para ajudar o micro e pequenos empresários?

Jorge Khoury – Neste momento está tudo de forma remota. É evidente com a reabertura e com os protocolos voltando, cada regional, dentro do protocolo do município, a gente vai fazendo a retomada do presencial. Os que voltaram e estão em dificuldade, como a gente pode ajudá-los neste sentido? E aí, será feito tanto através do nosso pessoal, que pode fazer algum tipo de orientação, que pode ser remota também, mas também com o trabalho dos nossos consultores. No momento em que o nosso colaborador identifica que o problema daquela empresa está na área do layout, no financeiro, do crédito, de gestão... Enfim, vamos identificando fazendo com que o consultor possa chegar ao pequeno empreendedor para ajudá-lo a superar a dificuldade deste momento.

Tribuna – O senhor acha que essa recuperação econômica vai demorar? Qual é o prognóstico em relação à crise? Depende de vacina?

Jorge Khoury – Acho que nós – eu, você e todo mundo – falamos muita coisa sempre em termos de expectativa. Mas alguém dizer matematicamente que, a partir do dia tal e do mês tal, vai acontecer tal coisa, vai recuperar tudo. A gente não tem essa bola de cristal. Infelizmente, diante de tudo que tenho observado e lido por aí, logicamente que, com a retomada da atividade empresarial, você começa um novo ciclo. Agora, quando isso vai estar concluído para voltar à normalidade que era antes, vamos demorar um pouco mais do que a gente imagina. Não imagino que seja apenas no ano de 2020. Tenho visto que esses micros podem levar até o próximo ano também. É evidente que alguns segmentos e algumas atividades possam ter o retorno rápido. Mas vão ter outras atividades que terão retorno demorado. Tudo o que a gente lê sobre o tema, o que a gente sente é que, e agora falando um pouco sobre a Bahia e em Salvador especialmente, que tem na atividade do turismo um grande foco econômico, infelizmente vai demorar a retomar. Tudo isso vai acontecer de maneira muito lenta. Creio que até o final do ano podemos ter uma situação bem melhor, mas a gente idealizar que vai estar tudo equilibrado, vamos ter mais dificuldade.

Tribuna – O Sebrae tem uma opinião sobre essa reforma tributária que o governo federal está tentando construir? E também sobre o novo imposto que estão chamando de “nova CPMF”?

Jorge Khoury – A micro e pequena empresa trabalha com o Simples, que é um tipo de segmento mais sintético e que ajuda mais nas questões tributárias. Também tem uma outra legislação própria e diferenciada. Trabalhamos basicamente com esses segmentos. A gente está atento a várias questões que estão sendo levantadas e que atingem mais diretamente a média e grande empresa. Existe um projeto tramitando na Câmara Federal, outro no Senado e esse do Governo Federal. A gente ainda não tem muita clareza sobre como adequar essas questões. Evidente que estamos atentos no sentido de preservar, em nível geral, a economia do país como um todo e todo o setor empresarial, independente do tamanho. Tudo aquilo que venha representar aumento de gasto a nível de tributo é pernicioso. Diria que nem só o aumento, mas a manutenção do que está já é pernicioso. Tudo o que puder fazer para que isso seja diminuído é positivo. Não tenho dúvidas de que, no momento em que as micro e pequenas empresas tenham menos impostos a pagar, isso não quer dizer que o governo vai perder dinheiro. Quando a gente tem menos, as empresas podem fazer mais. Fazendo mais, o governo vai ganhar no geral. A mortandade das empresas do Brasil é um negócio fora de série. Vamos acompanhar com maior cuidado também a questão das micro e pequenas empresas no sentido de que, aquilo que seja positivo hoje não seja retirado e que ela tenha algum tipo de ganho na regularização dos tributos como um todo.

Tribuna – Como tem sido o diálogo com as prefeituras e o governo do Estado em relação à questão de impostos para as empresas que ficaram fechadas? Qual é a avaliação da condução dessa crise?

Jorge Khoury – Temos tido diálogos tanto com o Estado, como também com os municípios. Temos feitos algumas parcerias com o Tribunal de Contas dos Municípios, com a Junta Comercial e as secretarias de desenvolvimento econômico exatamente no sentido de que, tudo aquilo que possa ser feito nesse momento por conta da crise, se fazer. Mas a gente tem trabalhado com eles no sentido de simplificar a questão dos impostos, diminuir a burocracia, os prazos... Nós temos um programa chamado “Sala do Empreendedor”, onde fazemos um trabalho junto com os municípios. O objetivo é ter todo tipo de atendimento para a micro e pequena empresa, como contrato social, licenciamentos e etc. É ajudar a resolver os problemas de maneira rápida e sem burocracia.

Tribuna – Na sua avaliação, quais serão as principais mudanças ou até adequações que empresas deverão fazer nestes novos tempos que estão surgindo?

Jorge Khoury – Primeiro, não tem como dizer que, depois que acabou (a pandemia), vai ficar tudo igual. A questão da reinvenção do negócio, não tem como não ter. Vocês têm observado que algumas empresas já estão deixando claro que, independente de pandemia, o trabalho home office vai continuar. Isso vai diminuir custos fixos de empresas que estavam alugando não sei quantos imóveis e tal. Vai ficar apenas o que tem que ter o presencial. Ficou claro que na pandemia que é possível trabalhar em home office com resultados iguais ou até melhores. Então, a ideia da reinvenção é uma verdade. Se ainda não trabalha com vendas online, delivery, essa é a hora de implantar o serviço. A presença do digital deixa de ser uma tendência para ser uma necessidade. É o momento agora de poder já ir buscando essa condição, para quando tiver com tudo tocando de uma maneira tranquila. Os que não puderam agora, vão precisar esperar um pouco a retomada das coisas. A outra coisa é a adequação, com proteção e segurança para o cliente. Proteção da equipe. Tem alguns produtos, como alimentos, que precisam ter cuidados de transporte para manter a boa aparência e sabor. Manter a qualidade. Mais do que nunca, a informação nesse novo momento já era e vai continuar sendo importante. O empresário vai ter se adequar ao novo tempo. Não tenho esse número aqui fechado, mas de janeiro para março, mensalmente, tivemos cerca de 20 mil consultas sobre esse problema da pandemia. Na metade de março, quando começou o problema, já atingimos 20 mil. Já de março para junho estava em torno de 25 mil. Na Bahia, segundo o último levantamento, são 561.794 de MEIs. E o número de micro e pequenas empresas 262 mil no Estado. Somando isso, são quase 800 mil unidades de produção sem trabalhar. Sem falar os profissionais não legalizados. E tem também a questão do desemprego. Os métodos mudaram. Quem estiver em serviço, vai continuar tendo. Mas o formato do serviço, com emprego em carteira assinada, vai ser substituído em muitos casos. Não estou falando que vai acabar o emprego. Estou falando que muitos dos que estão desempregados hoje vão ter dificuldade em voltar. Então, as grandes e médias empresas, vão precisar das micro e pequenas empresas para poder prestar serviços a eles em habilidades que antes eram contratados para fazer. E as médias empresas vão precisar também do MEI para prestar serviço. Então, o que quero dizer, é que não vai deixar de ter a atividade. No entanto, acontecerá de outra forma.

Tribuna – Quais outras ações o Sebrae realizou nesse período?

Jorge Khoury – Diria que neste ano, algo que estava programado para fazer durante o ano, fizemos em um mês. Os atendimentos remotos foram feitos através de cursos, lives, videoconferências e de todo o formato possível. Tivemos agora, inclusive, o que chamávamos de Semana do MEI, fizemos uma semana virtual. Houve excessivamente uma procura dos cursos. O Sebrae tem gerentes regionais, que estarão reabrindo ou não em função dos protocolos dos municípios. Esse momento da retomada, precisamos fazer um outro grau de avaliação sobre quem pôde retornar, quem não teve que fechar em definitivo, quem retornou e está em dificuldade, qual ajuda ele poderá ter para tocar o negócio. Acredito que cada momento terá o seu problema e estaremos aqui para poder melhor auxiliar o microempreendedor.

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