“A história de que a eleição será definida no 1º turno é para boi dormir”

O candidato do Pros à prefeitura de Salvador, Celsinho Cotrim, não acredita que a eleição vai acabar no primeiro turno

Tribuna da Bahia, Salvador
13/10/2020 10:50 | Atualizado há 15 dias, 9 horas e 29 minutos

   
Foto: Divulgação

Por: Guilherme Reis - Editor de Política; Rodrigo Daniel Silva - Repórter e Paulo Roberto Sampaio - Diretor de Redação


O candidato do Pros à prefeitura de Salvador, Celsinho Cotrim, não acredita que a eleição vai acabar no primeiro turno. A última pesquisa do Ibope apontou que Bruno Reis (DEM) pode vencer a disputa eleitoral no primeiro turno, com 56% dos votos. “Que essa história contada de que a eleição será definida, já no primeiro turno é história para boi dormir. A Salvador esquecida pelos poderes públicos que é a Salvador de Cajazeiras, do Subúrbio, da Liberdade, da Baixa de Quintas de meu vice-prefeito Popó e o meu amado Pituaçu vai dar o troco nas urnas e aí, vai dar segundo turno e, para a nossa felicidade, será entre Celsinho Cotrim e outro ou outra”, declarou Cotrim.

Ainda na entrevista, o postulante do Pros criticou a gestão do prefeito ACM Neto (DEM). Para ele, houve uma priorização dos bairros nobres. “Ainda são muitas (as carências em Salvador) e em diversas áreas, mas, podemos citar, principalmente, a falta do cuidado com as pessoas pobres, a diferença no tratamento entre a periferia e a orla”, pontuou.

Tribuna – Qual a sua avaliação da conjuntura política atual, muito influenciada pela pandemia?

Celsinho Cotrim – Uma realidade com o povo insatisfeito, prejudicado por uma lógica equivocada, a qual promoveu a ideia de que ou deteriorava-se a economia ou salvava-se vidas humanas. Esse cálculo foi mal feito, por usar da equação errada, impulsionando, assim, a busca por uma terceira via capaz de retomar o equilíbrio na gestão pública.

Tribuna – Como enxerga o cenário eleitoral de Salvador e as candidaturas a prefeito? Acha que haverá segundo turno?

Celsinho Cotrim – A eleição em Salvador está indefinida. Existem nove candidaturas a prefeito das mais variadas matizes ideológicas o que faz com que aumente a escolha de opção do eleitor, da eleitora soteropolitana. Atrelado a essa diversidade de alternativas, tem-se o sentimento de revolta silenciosa em todos aqueles que estão sem emprego e sem seu comércio informal gerando necessidades na grande maioria da população. O que isso quer dizer? Que essa história contada de que a eleição será definida, já no primeiro turno é história para boi dormir. A Salvador esquecida pelos poderes públicos que é a Salvador de Cajazeiras, do Subúrbio, da Liberdade, da Baixa de Quintas de meu vice-prefeito Popó e o meu amado Pituaçu vai dar o troco nas urnas e aí, vai dar segundo turno e, para a nossa felicidade, será entre Celsinho Cotrim e outro ou outra.

Tribuna – Se eleito, qual será o foco do seu mandato?

Celsinho Cotrim – Educação pública de qualidade, focando na educação em tempo integral, somada à recuperação da cidade pós-pandemia, a fim de aquecer a economia para gerar muitos empregos e dinheiro no bolso das pessoas. Serei o prefeito do emprego.

Tribuna – Quais as principais carências da cidade de Salvador?

Celsinho Cotrim – Ainda são muitas e em diversas áreas, mas, podemos citar, principalmente, a falta do cuidado com as pessoas pobres, a diferença no tratamento entre a periferia e a orla e a ausência de obras, além das voltadas à mobilidade urbana.

Tribuna – Que pontos positivos e negativos vê na gestão do prefeito ACM Neto?

Celsinho Cotrim – Os pontos positivos são muitos, não posso negar, porém, os negativos são bem dramáticos e acabam se sobressaindo entre aqueles que não vivem nos bairros mais privilegiados da capital. De pontos positivos, é claro, não podemos deixar de destacar as obras feitas no Rio Vermelho e na Barra, por exemplo. Todavia, pegando esses mesmos exemplos, podemos ver neles a questão negativa, que é a dessa realidade fascinante limitar-se àqueles locais onde é só pra turista ver. Não há um investimento por igual. Por isso que, no nosso primeiro debate, eu já me comprometi ao seguinte proceder, depois de eleito: a cada centavo gasto na orla, gastaremos dois centavos na periferia.

Tribuna – Sua saída do PRTB o afastou dos aliados de Bolsonaro e Mourão? Ainda compartilha alguma visão em comum com o presidente?

Celsinho Cotrim – Fui candidato a Senador da República em 2018 pelo Prona, partido em formação e que por estar em formação, não pôde registrar candidatura. E por conta disso, o Prona nacional procurou o PRTB nacional para abrigar temporariamente as suas candidaturas. Acertei com a direção estadual do Prona e foi aceito de que os meus valores e ideais continuavam os mesmos: a luta por uma sociedade mais justa, fraterna, igualitária e inclusiva. A partir daí, eu e o meu querido amigo vice-presidente do Brasil General Mourão, passamos a nutrir um enorme carinho e respeito político e pessoal até os dias de hoje. Inclusive, assim que passar a eleição, irei visitá-lo, espero que já como prefeito eleito, haja visto que este encontro seria em abril, mas, por conta da pandemia, adiamos. Afinal, graças a ele e a Levy, em janeiro de 2019, em plena lavagem do Bonfim, nossa candidatura a prefeito de Salvador foi lançada.

Tribuna – Como a pandemia tem afetado a campanha e quais estratégias você tem adotado para se comunicar com o eleitor?

Celsinho Cotrim – Não tenho sentido que a campanha tem sido prejudicada pela pandemia. Ao contrário, para candidatos como eu que não tem recursos financeiros para campanha, não tem sindicatos nem um partido com grande militância, terminou sendo favorável, pois, na internet todo mundo é de igual tamanho e força. E as estratégias que tenho adotado para me comunicar com o eleitor são da ampliação da minha presença no Facebook, Instagram, Twitter, Youtube, WhatsApp, entrevistas e debates nas TVs, rádios e sites, além do novo normal que são as LIVES e as reuniões virtuais pelas plataformas digitais.

Tribuna – Acha que o prefeito ACM Neto e o governador Rui Costa serão bons cabos eleitorais nessa campanha?

Celsinho Cotrim – Sim, sim, serão bons cabos eleitorais, no entanto, Salvador é uma cidade atípica e nem sempre segue a lógica política de eleição ou reeleição de afilhados políticos, a exemplo de 2004 quando elegeu a terceira via que foi João Henrique e este ano não será diferente.

Tribuna – Qual sua avaliação do governo Bolsonaro na condução da pandemia e dessa crise atual?

Celsinho Cotrim – Primeiro, temos que entender que politizaram uma questão de saúde pública e sobrou mais uma vez para o povo. Faltou tato por parte dos políticos. A OMS, alguns governadores e prefeitos foram por um caminho e o governo federal foi por outro. A população ficou perdida sem saber qual orientação seguir: se ficava em isolamento ou não. Se usava máscara ou não. Se aglomerava ou não. Se tomava Cloroquina ou não. Enfim, ficamos igual a cegos em tiroteio. O certo era se preocupar para que ninguém morresse de Covid-19 e nem de fome.

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