Construção civil e mercado imobiliário têm perspectiva otimista

Setor tem grande desafio pela frente, mas está confiante que terá uma boa retomada

Tribuna da Bahia, Salvador
21/10/2020 13:22 | Atualizado há 2 dias, 13 horas e 55 minutos

   
Foto: Reginaldo Ipê

Por: Yuri Abreu


Um dos segmentos que de quem mais se espera geração de emprego e renda no período pós-pandemia, alavancando assim a economia como um todo, a construção civil na Bahia observa uma perspectiva de crescimento passada a fase mais aguda da enfermidade que afetou não apenas o estado e o país, mas o mundo como um todo.

“A expectativa do nosso setor, sobretudo da incorporação imobiliária nesse período pós-pandemia, é de crescimento, devido principalmente à queda da Selic e por consequência dos juros que estão sendo praticados no universo das instituições dedicadas ao financiamento imobiliário, os quais nunca foram tão baixos, o que tem permitido o acesso de um novo patamar de adquirentes ou famílias que antes não tinham rendas em condições de obter tal financiamento”, afirmou Carlos Marden, presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado da Bahia (Sinduscon-BA).

No que concerne às obras públicas de infraestrutura, o dirigente registrou que estão todas tendo a devida continuidade. “E, para a partir do próximo ano, esperamos contar com a implementação de importantes projetos, sejam de concessões ou PPPs [Parcerias Público-Privadas], como a FIOL [Ferrovia Oeste-Leste], o VLT Monotrilho ligando do Comércio até a Ilha de São João, em Simões Filho, a Ponte Salvador – Itaparica, além de significativas e novas intervenções urbanas, anunciadas pela Prefeitura em complementação ao sistema do BRT, nas áreas do Iguatemi e Avenida Tancredo Neves, ressaltou Marden.

Porém, ele aponta que o principal desafio para que o panorama se apresente favorável é o equilíbrio orçamentário e fiscal do governo, ao tempo em que se continua amargando uma grande taxa de desemprego no país, que se agravou com a pandemia do novo coronavírus. “À exceção de alguns setores, que inclusive cresceram, como o agronegócio e supermercados, também o setor da construção conseguiu suportar sem maiores danos até o auge da crise no mês de maio. Contudo, a partir de junho, passamos a verificar continuados aumentos nos insumos básicos da construção (cimento, aço, resinas plásticas e PVC, fios de cobre, alumínio e vidros), os quais produzidos no Brasil, por oligopólios, em alguns casos, estão nos sujeitando ao desabastecimento”, avaliou.

De acordo com dados do Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), divulgado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve um acréscimo de 1,44% nos custos do setor em setembro, a maior taxa desde julho de 2013, e 0,56 ponto percentual acima da registrada em agosto (0,88%). Nos primeiros nove meses do ano, o índice acumulou alta de 4,34%. Já nos últimos 12 meses, a taxa soma 4,89%, resultado acima dos 3,78% registrados nos doze meses imediatamente anteriores.

Ainda conforme o levantamento, o custo nacional da construção, por metro quadrado, que em agosto fechou em R$ 1.191,84, passou em setembro para R$ 1.209,02, sendo R$ 645,56 relativos aos materiais e R$ 563,46 à mão de obra. A parcela dos materiais aumentou 2,55%, registrando o maior índice considerando a série com desoneração da folha de pagamentos iniciada em 2013. Os aumentos observados foram de 0,95 pontos percentuais acima do mês anterior (1,60%), e 2,28 pontos percentuais em relação a setembro de 2019 (0,27%). Já a parcela da mão de obra com os dois reajustes observados, registrou taxa de 0,20%, subindo 0,11 ponto percentual em relação ao mês anterior (0,09%) e caindo 0,27 ponto percentual se comparado a taxa de setembro de 2019 (0,47%).

Como consequência, segundo o presidente do Sinduscon-BA, a situação pode gerar paralisações de obras, tanto do setor público - principalmente na área de infraestrutura -, como no setor privado. “Neste contexto, o prazo de entrega de unidades imobiliárias por parte das construtoras e incorporadoras junto aos adquirentes das unidades terminará sendo impactado inevitavelmente. E mesmo os preços das unidades imobiliárias poderão sofrer um reajuste, num segundo momento, caso a situação não se altere. A superação de um panorama socioeconômico tão grave, ao nosso ver, passa necessariamente por uma nova política desenvolvimentista, à semelhança de um new deal brasileiro, para reinserirmos no giro da nossa economia essa grande massa de trabalhadores desempregados”, afirma o dirigente.

AVALIAÇÃO

Até agora, em 2020, a avaliação que pode ser feita do setor de construção civil, aqui na Bahia, é positiva, de acordo com Carlos Marden. “Graças ao reconhecimento da construção civil como atividade essencial e o discernimento do governo estadual e da grande maioria dos municipais, não sofremos interrupção das obras públicas ou privadas, o que mostrou-se fundamental para continuarmos sendo os impulsionadores de nossa economia, visto sermos os maiores empregadores formais”, relata.

Contudo, isso só foi possível à custa de um “grande esforço” e desprendimento das empresas, que operaram com os contingentes de operários reduzidos, pelo afastamento daqueles que compunham os grupos de risco, “quase sempre seus mais tarimbados colaboradores; além da forçada e repentina adaptação ao home office, notadamente nos staffs administrativos, inclusive das obras”.

“Embora, conforme dados do último CAGED [divulgado em agosto deste ano] também tenhamos registrado perdas mensais de postos de trabalho nos saldos de empregos, durante o auge da pandemia (março a junho), felizmente já percebemos nos dois últimos meses inversão na curva de empregos/desempregos indicando recuperação, verificando-se queda de 33% no saldo de empregos acumulados neste ano” diz Marden.

Mercado imobiliário também acredita em crescimento

Quem também vê com boas perspectivas o cenário pós-pandemia é o mercado imobiliário. De acordo com Cláudio Cunha, presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA), apesar de ter passado por um período de incertezas entre o final de março e o início de abril, o segmento retomou as atividades nos meses seguintes, se recuperando, e alcançando números surpreendentes desde então.

“O crescimento se deu, em grande parte, pelo aumento da demanda, e interesse em compra dos imóveis, que foram facilitados pela queda histórica da taxa Selic, e pelo acesso mais fácil ao crédito imobiliário - principal forma de aquisição dos imóveis no país. Nossa perspectiva é otimista para o período de retomada, a disponibilidade do crédito, os novos hábitos adquiridos nesse período de pandemia trazem mudanças na forma de morar e como morar, criando mais demanda por imóvel”, afirma o presidente da Associação baiana.

Para o dirigente, o principal desafio, para essa retomada, será encontrar um equilíbrio entre a demanda da população e das empresas, e a capacidade de produção destes insumos que são essenciais para o funcionamento de todo o setor construtivo. “Durante esse período, as pessoas vieram percebendo novas necessidades em seus lares, o que gerou, não apenas o desejo de adquirir um novo imóvel, como também o de fazer reformas no atual. Essa demanda também levou a um crescimento anormal na procura de materiais de construção que já é sentido por toda a cadeia produtiva”, diz.

Além disso, continua sendo fundamental reforçar os protocolos de limpeza e higiene que garantiram a continuidade da atividade imobiliária nos últimos meses, e aprimorar as ferramentas digitais que vêm sendo usadas em peso para acelerar a troca de informações com clientes e a jornada de compra do imóvel”, acrescenta Cunha.

Para o próximo ano, ele afirmou que a Ademi-BA ainda está fazendo o devido planejamento, traçando as ações com cuidado e atentos às possíveis adaptações que poderemos ter que fazer, em razão da pandemia. “Mas, confirmamos o quão fundamental é o investimento em TI e nas ferramentas digitais para fazer o mercado continuar funcionando. A Ademi-BA vinha no processo de digitalização de todo o processo da incorporação e construção antes da pandemia, antecipamos esses investimentos. Porém, ficou evidente que o caminho para o digital não é mais uma escolha e deve ser feito em todas as etapas do mercado, até a entrega das chaves do imóvel ao comprador. Vamos continuar investindo em inovação para atender as necessidades mais atuais do setor”, garante Cláudio Cunha.

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