Indústria acredita que retomada plena se dará no próximo ano

Estado precisa se tornar atrativo para gerar empregos

Tribuna da Bahia, Salvador
21/10/2020 18:45 | Atualizado há 3 dias, 9 horas e 39 minutos

   
Foto: Amanda Oliveira / GovBA

Por: Yuri Abreu


Uma das atividades afetadas pela pandemia de covid-19 sem dúvida foi a indústria. Mas, sinais de recuperação já vêm sendo apresentados pelo segmento. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), este setor, na Bahia, vem apresentando altas consecutivas há quatro meses, mesmo que ainda tímidas – um exemplo é os +0,9% em agosto sobre julho – e abaixo do que vem sendo registrado no Brasil como um todo.

Entre os principais destaques, conforme o órgão, levando em conta o período entre agosto deste ano e o mesmo mês do ano passado, houve alta principalmente na fabricação de produtos alimentícios, com 11,5%, tendo como subgrupo em destaque a fabricação de bebidas (20,6%). Outro setor que vem demonstrando força é o da produção de coque, produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis, com elevação de 14,6% na comparação entre os períodos citados. Porém, vale lembrar que segmentos como metalurgia e produção automobilística, com resultados ruins, ainda impedem um melhor desempenho da indústria baiana como um todo.

“A retomada do setor industrial depende do retorno das atividades econômicas, em sua plenitude. Com a redução das restrições, verifica-se uma recuperação da produção industrial no Estado da Bahia, mas ainda bem abaixo dos níveis pré-crise da pandemia. Acreditamos que as condições para uma retomada plena ou sustentada só se deem no ano que vem, com um controle maior sobre a pandemia (possivelmente teremos uma vacina para o Covid-19) e o aumento da confiança da população, dos consumidores e agentes econômicos”, analisou Ricardo Alban, presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).

O dirigente elencou os principais desafios para que esse cenário possa tornar-se realidade. “A paralisação econômica provocada pelo enfrentamento da pandemia se somou às dificuldades competitivas estruturais que o setor industrial baiano e nacional vem enfrentando há bastante tempo. Enfrentamos uma série de obstáculos como a elevada carga tributária sobre a atividade (bem superior ao de outras atividades econômicas); infraestrutura deficiente, englobando desde a logística de transporte defasada ao custo elevado da energia; ambiente desfavorável aos negócios (dificuldades burocráticas, insegurança jurídica, tempo e custo gasto nos processos/licenças, etc.); nível reduzido de investimentos em PD&I – Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação”, explica Alban.

Para ele, essa série de dificuldades, chamadas de “Custo Brasil, são os que atravancam o desenvolvimento, ainda mais em um contexto qual a economia está globalizada, competitiva. “Uma série de óbices que a indústria nacional enfrenta, comumente denominados simplesmente de “Custo Brasil”, num contexto de economia globalizada, fortemente competitiva e crescentemente voltada à tecnologia da informação”, salienta.

Por outro lado, ele acredita ser importante que, para a atração de novos investimentos, o próprio Estado já comece a realizar melhorias na própria infraestrutura. “O Estado da Bahia precisa trabalhar mais rápido na redução do seu ‘Custo Bahia’, contemplando, entre outras coisas, melhorar a infraestrutura disponível, aprimorar o nível geral de educação da população, além de investir na estrutura de qualificação da mão-de-obra, coisa que o Sistema FIEB acredita dar cota de contribuição, através do SESI e do SENAI. De modo geral, o Estado precisa se tornar atrativo e acolhedor com o empreendedor, seja externo ou local, industrial ou não, responsáveis que são pela geração de emprego e renda em qualquer economia”.

PÓLO

Com as atividades iniciadas no ano de 1978, o Pólo Petroquímico de Camaçari tem uma importante representatividade quando o assunto é a indústria baiana. Nessa pandemia, assim como os demais setores, ela também sofreu os efeitos da crise, mas a estrutura, que completou 42 anos no final do mês de junho, mantendo a disposição para superar desafios, ampliando seu horizonte competitivo para continuar como grande vetor de desenvolvimento da Bahia e, especialmente, dos municípios vizinhos de Camaçari e Dias d´Ávila, na Região Metropolitana.

De acordo com o Comitê de Fomento Industrial de Camçari (Cofic), a atitude dominante entre as empresas que integram o Complexo – considerado o maior do Hemisfério Sul – é unir esforços para sair deste difícil momento econômico e social da melhor forma possível, atuando com a versatilidade necessária para criar novas oportunidades de investimento, gerar empregos e potencializar mercados.

“As empresas do Polo têm demonstrado coesão e efetividade na adoção de medidas que visam a proteção à saúde dos seus trabalhadores, em paralelo a ações de responsabilidade social, incluindo doações que têm contribuído para o enfrentamento da própria pandemia, nas comunidades do entorno. Concentram esforços também para manter as operações industriais de forma segura e atender, com matérias-primas e outros itens essenciais, as cadeias produtivas nas áreas de higiene, saneantes, produtos de uso médico-hospitalar, alimentos, medicamentos, dentre outros, utilizados no combate ao Coronavírus”, informa a entidade.

Neste momento, sempre com foco na expansão, o principal desafio do Pólo – composto atualmente por 90 empresas - é, sem dúvida, manter a competitividade. Esse objetivo, de acordo com o Cofic, é compartilhado com outras entidades como o Governo do Estado, com as prefeituras dos municípios vizinhos de Camaçari e Dias d´Ávila e com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia/Fieb, dentre outros parceiros importantes, “por acreditarem na integração operacional, uma das marcas do Complexo Industrial, como modelo empresarial vencedor, que lhe confere um potencial inquestionável de atratividade para novos investimentos”.

Os números, que prevaleceram até o início da pandemia no Brasil, ilustram essa boa performance por parte das empresas que compõem o Complexo Industrial: faturamento anual de aproximadamente US$ 15 bilhões; vendas para o mercado externo correspondentes a cerca de 30% do total das exportações baianas; e sua contribuição em ICMS para o Estado da Bahia da ordem de R$ 1 bilhão/ano. O Complexo Industrial responde ainda por mais de 90% da arrecadação tributária dos municípios de Camaçari e Dias D´Ávila e por cerca de 22% do Produto Interno Bruto (PIB) da Indústria de Transformação do Estado da Bahia.

Atualmente o Polo Camaçari concentra suas atividades nos segmentos químico-petroquímico, de automóveis, liderado pelo Complexo Ford, pneus, metalurgia do cobre, têxtil, bebidas, celulose, fertilizantes, fármacos, energia eólica, bebidas e serviços (incluindo logística). Sua localização estratégica do Polo, no município de Camaçari, a 50 quilômetros de Salvador, permite fácil acesso às indústrias através das rodovias BA-093, BA-535 (Via Parafuso), Canal de Tráfego, ferrovias, portos e aeroportos.

Entre as empresas do Polo, destacam-se organizações líderes em seus segmentos, como a Braskem (líder em resinas termoplásticas na América Latina), a Paranapanema (principal produtor de cobre eletrolítico da América do Sul), a BSC (única indústria que produz celulose solúvel com alto teor de pureza em toda a América Latina), a Deten Química (única produtora no país de LAB - Linear Alquilbenzeno, matéria-prima básica para produção de detergentes biodegradáveis), além da Ford, Continental e a Bridgestone, nos segmentos automotivo e de pneus. No segmento eólico, com forte poder de crescimento, destacam-se indústrias como Siemens-Gamesa e Torrebrás.

Outros empreendimentos também se destacam, a exemplo Oxiteno, Bayer, Unigel e do Complexo Acrílico da Basf, que representa o seu maior desafio empresarial fora da Alemanha, com aportes superiores a R$1,5 bilhão. Em suas três unidades industriais no Polo de Camaçari, produz, em escala global, ácido acrílico, acrilato de butila e polímeros superabsorventes (SAP), utilizando como matéria-prima o propeno, fornecido pela Unidade de Petroquímicos Básicos da Braskem.

Essas novas rotas da produção em Camaçari vêm atraindo também indústrias de transformação como a Kimberly-Clark, que fabrica fraldas descartáveis e produtos de higiene pessoal a partir dos polímeros superabsorventes fornecidos pela Basf. O potencial de atratividade do Polo também fica evidenciado com a presença de empresas como Boticário, Knauf, Votorantim, dentre outras.

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