Ponto de Vista: Que venha em nós o verão

Por Cláudia Colavolpe

Tribuna da Bahia, Salvador
18/01/2021 06:30 | Atualizado há 12 dias, 22 horas e 49 minutos

   

Vem chegando o verão

O calor no coração

Essa magia colorida

São coisas da vida

(Marina Lima)

Diante de tantas notícias ruins que temos ouvido, especialmente em face da pandemia que atinge todo o mundo, uma delas nos traz alegria por tudo o que simboliza: a chegada da estação da luz, como canta o doce Alceu.

A música da epígrafe diz muito sobre o que do aqui trato. Sucesso absoluto nos anos 80, marcou a minha adolescência e sempre é uma imensa alegria escutá-la.

A música cantada na voz doce de Marina faz com que eu rememore as férias, o veraneio, o encontro com as amigas e ele, tão ele, o verão.

O verão é a estação do calor, da luz, do aconchego, do abraço, do contato, da alegria, do carnaval e falar dele me remete a sentimentos muito agradáveis, à paz de espirito, à leveza de alma e à esperança carregada de fé, que, como cantada por Gilberto Gil, “não costuma faiá”.

E como “faiá” logo no verão onde o império é o do astro maior, o da estrela mais brilhante, o do Deus Sol? Daquele que aquece, ilumina e brilha? Características, aliás, de que tanto precisamos para nos sentir vivos.

E, nesses tempos em que a necessidade da distância predomina, precisamos, mais do que nunca, estar em contato com tudo isso, sentir tudo isso. Precisamos ser um pouco sol para nós mesmos e para o outro. 

Mas como assim? Como, por exemplo, ser fonte de luz? Tenho visto pessoas tão desgastadas, tão sem ânimo… Por que não promover o encontro dessas pessoas com o melhor delas mesmas? Por que não elogiá-las, não mostrar a elas o quanto são importantes, não buscar extrair o que elas têm de melhor? E, ao fazer isso pelo outro, tenha a certeza de que estará fazendo por si mesmo também. É como se fôssemos um daqueles cordões de luz da árvore de Natal: uma lâmpada brilha, em seguida outra e mais outra e outra…

É algo contagiante e constante que, simultaneamente, alegra e aquece o coração, ilumina e faz com que cada um perceba o seu próprio brilho e se sinta bem, mais encorajado para lidar com as adversidades, pois, recorrendo a Caetano, “gente é pra brilhar”.

E quando toda a gente brilha, o respeito, a generosidade, a compreensão e o carinho são alimentados e ganham força, curando feridas que até então pareciam intermináveis.

Se estou bem, não tenho a necessidade de provar que a verdade está em mim a qualquer custo, de me indispor. O diálogo prevalece, e a consciência de que o bem da coletividade é necessário também. A cura maior, então, vem da cura da pequenez da alma e do encontro com a nossa essência mais pura, daquela onde habita o amor. 

Mais uma vez Caetano vem à minha mente: “se as estrelas são tantas, só mesmo o amor”. Afinal, só ele, o amor, para aceitar tanto brilho de tantas fontes diferentes, de tantos lados desconhecidos, mas cada um com uma beleza própria, incapaz de ofuscar os demais tipos de beleza. Sim, o amor aceita, não rejeita.

E, quando assim pensamos, quando aceitamos que o outro também tem o seu lugar neste lindo planeta Terra, água, ar e fogo, o conceito de nossa missão no mundo ganha uma amplitude maior. 

Assim, em vez de defender coisas, tais como vacina não, passamos a pensar em vacinação; em vez de não querer incluir não, lutamos pela inclusão; em vez de dizer que não vamos nos dispor não, buscamos a disposição; em vez de achar que considerar tudo isso é vão, demonstramos consideração. 

Só dessa forma o pintor passageiro de Alceu,  que colore o mundo inteiro derramando os seus azuis pode, de fato, chegar, não apenas enquanto estação, mas dentro de nós. E quando ele nos atinge, entrando em nós, o que chega de nós é o amor, querido Caetano, “com todo o seu tenebroso esplendor”.

E já que toda razão, toda palavra vale nada quando chega o amor, seja o ão do não, mas não o não. Seja você, seja verão, com muita paixão, pois o calor no coração e essa magia colorida são coisas da vida. Convido-os, então, ao essencial da vida: vamos simplesmente viver! 

Psicóloga. Auditora de Contas Públicas e Coordenadora de Gabinete de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia. Escritora.

caucolavolpe@gmail.com


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