Em Salvador, Boulos sobe o tom contra Bolsonaro

Socialista disse que o deputado é uma “farsa e impostor”, e que o povo vai “desmascará-lo”


Tribuna da Bahia, Salvador
06/06/2018 10:25 | Atualizado há 14 dias, 15 horas e 46 minutos

   
Foto: Reprodução/Carta Capital

Por Rodrigo Daniel Silva

Pré-candidato a presidente da República, Guilherme Boulos (PSOL) desembarcou, ontem, em Salvador, e subiu o tom das críticas contra o também candidato ao Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro (PSL), que lidera as pesquisas presidenciais. Na Bahia, Bolsonaro também desponta em primeiro lugar, com 19,6% das intenções de votos, sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa (PT), conforme levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado na semana passada. Nesta consulta, o nome do socialista não foi incluído.  Em entrevista à rádio Metrópole ontem, Boulos afirmou que o deputado federal Bolsonaro se aproveita do “medo” da população brasileira, em relação ao desemprego e aumento da violência, para fortalecer a candidatura a presidente. 

“Ele faz a política do medo. As pessoas pensam em alguém que grite mais alto que elas, que bata na mesa... Só que a razão fica em segundo plano. O que eu acredito firmemente, e essa foi uma das razões que me fez assumir o compromisso, o povo brasileiro não necessariamente vai ser levado pelo medo. […] Estamos cansados de tudo isso. Esse cansaço abre o espaço para uma avenida como a do Bolsonaro. Temos que apontar para a avenida do lado esquerdo, que temos que aprofundar a democracia no Brasil”, pontuou Boulos, que também é líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MSTS)

No entendimento do pré-candidato, a população terá de escolher entre duas vias. “Há o caminho de Bolsonaro pregando intolerância, e há um caminho da gente recuperar esperança no futuro. Apresentar uma forma de fazer política que seja outra”, disse, ao ressaltar que defende a segunda opção. Em um evento na Universidade Federal da Bahia (Ufba), Boulos voltou a criticar o adversário. Disse que o deputado federal é uma “farsa e impostor”, e apostou que o povo brasileiro vai “desmascarar” o concorrente. Ainda na entrevista, Boulos avaliou que o Brasil vive a maior “crise democrática” desde o fim da ditadura militar, em 1985. Para ele, o atual sistema político do país não representa a população. “As pessoas não se sentem representadas e deixam de depositar suas expectativas. O Estado brasileiro está sequestrado por interesses oligárquicos. Um por cento que comanda o jogo e as pessoas fazem figuração. Precisamos de um debate real até para afastar esse rumor de ditadura”, analisou.

Pré-candidato critica prisão de Lula

O pré-candidato a presidente da República Guilherme Boulos (PSOL) voltou a criticar, ontem, a condenação e a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e cumpre a punição na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. 

“O que está acontecendo com Lula é uma sacanagem. Você pode ter a discordância que for com ele. Eu já tive e já disse várias vezes dos erros que cometeu, mas ele foi condenado sem provas. O Brasil não viu extratos. O Brasil não viu áudio, mala de dinheiro. No caso de Lula, não tem provas e tem punição. No caso de [do presidente Michel] Temer, sobram provas e não tem punição”, afirmou.

O socialista voltou a defender também a candidatura do ex-presidente. “Não é uma questão apenas de quem vota em Lula e no PT. É uma questão de quem está preocupado com a democracia”, frisou. Sobre a possibilidade de união das esquerdas para eleição deste ano, Boulos afirmou que é a favor da unidade “em torno de princípios”. “Há um retrocesso em termos de direitos sociais e isso deve fazer com que a esquerda esteja unida para defender a democracia contra avanço da direita fascista, como Bolsonaro”, salientou. 

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